Você deve ter percebido que já tivemos boas conversas com uma porção de artistas e bandas legais. Já falamos com o Kaiser Chiefs e com a Bidê ou Balde, assim como Ladytron e Lobão. Gente que você vê no palco, ouve no rádio ou assiste no YouTube.
Mas e a pessoa que está por trás deles, que circula pelos bastidores, faz a máquina funcionar e a coisa acontecer. Não é curioso saber como é estar do lado de lá?!
Pra bisbilhotar um pouco dos bastidores do mundo da música, saber como é a outra cara da moeda, fomos atrás de Tathianna Nunes (na foto acima, com os Racionais MC’s), que há anos circula do outro lado do palco da música brasileira.
Tathianna é uma das criadores do festival Coquetel Molotov, também está à frente do Rec-Beat, um dos maiores eventos de música do Nordeste. Já produziu shows de artistas como Mundo Livre S/A, Racionais MC’s, Teenage Fanclub e Peter Bjorn & John. E circula pelo Brasil junto com o Conexão Vivo, festival itinerante que só em 2011 esteve em Belo Horizonte, Salvador e Belém.
São muitas histórias pra contar. Tentamos conhecer algumas delas.
É verdade mesmo esse papo de artistas fazerem mil exigências de camarim?
Tathianna Nunes: Sim, é verdade. Mas os pedidos são mais engraçados do que absurdos. No meu caso, acho que nunca extrapolaram os limites.
Ao viajar bastante pelo Brasil você deve conhecer muitas novidades. Acha que estamos bem quando o assunto é música?
Tathianna Nunes: Estou cada vez mais apaixonada pela música brasileira. E isso é até engraçado, porque há 12 anos eu era super radical. Mas nossa música está cada vez mais encantadora, só peca na produção. Estamos muito atrás nisso, mas a gente chega lá.
O Brasil é de uma pluralidade incrível, não é?
Tathianna Nunes: Não existe lugar como o Brasil. Mas que é ótimo passar alguns meses em Estocolmo é. (risos)
Pois é, por aqui o maior mercado de produção ainda é o de grandes bandas. Mas você, por exemplo, costuma trabalhar com artistas de fora do mainstream. O Brasil está pronto pra isso? Parece que esse mercado alternativo tem crescido…
Tathianna Nunes: O Brasil quer coisa boa. O indie é o novo mainstream, não? O que é o Terra e o SWU? No Norte e Nordeste talvez seja um pouco mais complicado, mas aqui existe guerrilha e fazemos os eventos mais divertidos. (risos)
Falando em artistas gringos… Eles sempre dizem que adoram tocar por aqui. Verdade mesmo ou conversa fiada?
Tathianna Nunes: Não sei quanto aos outros produtores, mas os que já tocaram com o Coquetel Molotov, por exemplo, sempre ficaram bem felizes sim.
Qual você diria que foi o melhor show que já produziu?
Tathianna Nunes: É tão dificil responder isso. Já fiz tanta coisa que me orgulho, não sei dizer qual foi o melhor.
Teria algum pior, algo meio traumático?
Tathianna Nunes: Foi o da francesa Soko. Ela é muito talentosa, mas apenas talento não segura a onda. Educação, respeito, entre outras coisas, são importantes também. E ela não teve nada disso no show que fizemos no Sesc Pompéia, em São Paulo.
Pareceu uma eternidade, parecia que tinha caído no inferno do tédio. Pessoas iam embora durante o show e ela insistia. Uma situação realmente desagradável, péssimo para o público.
Então esse foi o que mais marcou?
Tathianna Nunes: Não, o show que mais me marcou foi o do Teenage Fanclub, em Recife. Até porque sou fã da banda, pareceu um sonho, sabe?
Em Recife, o tal show do Teenage Fanclub foi assim:

